Crescimento vertical avança em comunidades e pressiona área ambiental na Zona Sul do Rio
Prédios de até sete andares são construídos em comunidades do Leblon As comunidades do Rio de Janeiro vivem, de forma crescente, um processo de verticaliza...
Prédios de até sete andares são construídos em comunidades do Leblon As comunidades do Rio de Janeiro vivem, de forma crescente, um processo de verticalização. No Morro do Vidigal, na Zona Sul da cidade, um prédio de sete andares está sendo erguido. Já na comunidade da Chácara do Céu, as casas avançam até o limite da área de reserva ambiental. No Alto do Vidigal, a mata está próxima a uma construção desocupada. Em outro ponto da comunidade, o entulho de uma obra pode ser visto sobre uma laje, enquanto uma casa já ganhou um quarto pavimento. Na Chácara do Céu, uma residência em ampliação se mistura às copas das árvores. As construções avançam perto dos limites do Parque Natural Municipal, uma área de Mata Atlântica. O Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos, localizado no Leblon, tem quase 40 hectares e foi criado na década de 1990. De acordo com a Prefeitura do Rio, mais de 24 mil mudas foram plantadas na área entre 1994 e 2019. As construções na parte mais alta da comunidade, próximas à mata, são visíveis à distância. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Prédio de sete andares em construção na comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro Reprodução/ TV Globo Em nota, a Secretaria Municipal do Ambiente informou que o trecho em questão está fora dos limites do parque, mas que realizará uma vistoria no local. O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) defende o reconhecimento das favelas no planejamento urbano e afirma que a verticalização é resultado da falta de políticas públicas de moradia. “A favela cresce, mas não pode expandir seus limites territoriais sob o ponto de vista horizontalidade. Com isso, a saída acaba sendo a verticalização. São edificações vulneráveis, onde pode ocorrer, a qualquer momento, um sinistro por conta de deslizamentos, acomodação do solo ou chuvas mais fortes”, afirmou Sidnei Menezes, presidente do CAU/RJ. O representante dos moradores da Chácara do Céu diz que a associação atua para conter a expansão vertical na comunidade, em parceria com a prefeitura. “A gente vem trabalhando muito a conscientização dos moradores, mostrando a importância de não realizar construções irregulares, para evitar problemas futuros. Nesse sentido, a prefeitura tem atuado aqui dentro, ajudando a conter esse crescimento vertical na Chácara do Céu”, destacou Marcelo dos Santos, presidente da Associação de Moradores. Casa em ampliação na altura das árvores na comunidade da Chácara do Céu Reprodução/ TV Globo A Associação de Moradores do Leblon afirma que o Programa Pouso, voltado para o ordenamento urbano em favelas, foi interrompido. “O ponto mais positivo para o morador era o registro das casas. Mas de que forma? Com exigências de habitabilidade e segurança”, explicou Evelyn Rosenzweig, presidente da AMA-Leblon. A TV Globo pediu à prefeitura um posicionamento sobre a possível retomada do programa Pouso, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Segundo dados do Censo do IBGE, a população da cidade do Rio de Janeiro cresceu 6% entre 2000 e 2022. Nas favelas, o crescimento foi significativamente maior: 23,53%. Para o coordenador do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), é fundamental ampliar os investimentos em moradia social e na urbanização das comunidades. “É preciso produzir unidades habitacionais para diferentes faixas de renda, especialmente para as camadas de menor renda, com a atuação do poder público. Também é necessário investir na urbanização das favelas e, principalmente, na manutenção dessas obras", disse Henrique Barandier, coordenador de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do IBAM. "A favela é uma área como qualquer outra da cidade e precisa de manutenção permanente. Não basta urbanizar uma vez. É essencial a presença constante do poder público”, acrescentou.