Delegado de caso de estupro coletivo espera que foragidos se entreguem em até 24 horas
Delegado de caso de estupro coletivo espera que foragidos se entreguem em até 24 horas O delegado Ângelo Lajes, responsável pelas investigações do caso de ...
Delegado de caso de estupro coletivo espera que foragidos se entreguem em até 24 horas O delegado Ângelo Lajes, responsável pelas investigações do caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, afirmou em entrevista ao RJ1 que espera que os foragidos se entreguem ainda nesta terça-feira (3). "Em conversa com o advogado do Mattheus, que se entregou na delegacia, ele disse que as defesas estão conversando e a expectativa é que eles se entreguem em 24 horas", afirmou Lajes. Dois homens se entregaram até o começo da tarde: Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu com sua defesa à 12ª DP (Copacabana) e João Gabriel Xavier Bertho se entregou na 10ª DP (Botafogo). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Ainda assim, o delegado destacou que os policiais fazem buscas em vários pontos da cidade. No fim da manhã, os agentes fizeram buscas em um imóvel em Santa Teresa, na região central do Rio, mas nenhum dos foragidos foi encontrado. A polícia investiga se os suspeitos teriam feito outras vítimas. O delegado disse que denúncias sobre o caso estão sendo feitas em redes sociais, mas é necessário investigar com cautela. A mãe de uma suposta segunda vítima procurou a delegacia. "Vamos tratar isso com muita cautela e cuidado porque precisamos trabalhar de forma muito técnica. Assim que essas vítimas aparecerem na delegacia, elas serão ouvidas em uma oitiva qualificada para que possamos trazer as provas aos autos", disse Lajes. O delegado Ângelo Lajes, responsável pela investigação de caso de estupro coletivo em Copacabana Lucas Peçanha/ TV Globo Emboscada O delegado voltou a destacar que, no atual andamento das investigações, não tem dúvida de que a adolescente foi vítima de uma emboscada premeditada. "O adolescente infrator se valeu da confiança que tinha com essa adolescente. Ele estudava no mesmo colégio, tinha um relacionamento anterior. Ele a convidou para o apartamento e combinou previamente com os outros acusados que estavam lá. E, a partir da chegada dela no imóvel, eles foram para o quarto e cometeram não só a violência sexual como psicológica e agressões físicas", ressaltou. Ângelo Lajes destacou que as investigações avançaram graças a capacidade da menor de pedir ajuda aos familiares e denunciar o caso. Foragido se entrega Mattheus Verissimo Zoel Martins na chegada à delegacia de Copacabana Reprodução Na manhã desta terça-feira (3) dois dos 4 foragidos no caso se entregaram à polícia. Todos viraram réus pelo crime, com o agravante de a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os promotores destacaram, com base no relatório final da polícia, “a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima, então em condição de manifesta vulnerabilidade”. Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu com sua defesa à 12ª DP (Copacabana), onde o caso é investigado. Ele não deu declarações na chegada. Já João Gabriel Xavier Bertho, também de 19 anos, se entregou na 10ª DP (Botafogo). Outros 2 investigados seguiam foragidos até a última atualização desta reportagem: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos. Há ainda um menor investigado. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de mandado de apreensão contra ele. Como se trata de um menor, a polícia desmembrou o inquérito e enviou uma representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pedindo pela apreensão por fato análogo ao crime. Mattheus Verissimo Zoel Martins na chegada à delegacia de Copacabana Lucas Peçanha/ TV Globo Habeas corpus negados Anteriormente, a Justiça do Rio de Janeiro tinha negado habeas corpus aos foragidos. A TV Globo apurou que 3 dos 4 maiores de idade procurados pelo crime entraram com um recurso para suspender a prisão. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos. Como o caso está em segredo de Justiça, o processo não mostra nenhum nome, e não foi possível saber os autores dos recursos. Também não havia informações se todos tinham pedido habeas corpus ou se um deles não entrou com recurso. Filho de subsecretário Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos foragidos, é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. O órgão está vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Nesta segunda-feira (2), a secretária Rosangela Gomes emitiu uma nota nas redes sociais: “Tomei conhecimento das graves denúncias envolvendo o filho do subsecretário Simonin. Recebo essas informações com profunda indignação e tristeza. Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência. Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens. Através do Governo do Estado do RJ, a Secretaria da Mulher já está prestando todo apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família. Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família.” Posteriormente, o governo do estado emitiu uma nota. “O Governo do Estado do Rio repudia veementemente o ato de extrema violência cometido contra uma adolescente em um apartamento em Copacabana. A Polícia Civil já concluiu a investigação e identificou os cinco autores dessa barbárie - quatro maiores e um menor de idade, que tiveram as prisões decretadas pela Justiça e estão foragidos. Todas as diligências estão em andamento para localizar e prender os envolvidos. A Secretaria de Estado da Mulher irá prestar todo apoio psicológico à vítima e a sua família. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos reafirma seu compromisso inegociável com a proteção da dignidade humana, com o respeito à vida e com a garantia de direitos da população fluminense.” LEIA MAIS: ‘Eu só quero que eles paguem’, diz mãe Investigados já respondiam a outros processos em colégio Clube de futebol afasta jogador após mandado de prisão Portal dos Procurados divulgou cartaz dos quatro jovens denunciados pelo estupro coletivo Divulgação/Disque Denúncia Relembre o caso Quatro homens foram indiciados por estupro com concurso de pessoas, e a Justiça expediu mandados de prisão contra todos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos; João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos; Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos. O adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime. O procedimento dele foi desmembrado para a Vara da Infância e Juventude, que ainda não tinha decidido pela apreensão dele ou não. Por se tratar de um menor, a identidade não será divulgada. O que aconteceu? Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele, na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Esse rapaz teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, a adolescente foi sozinha. No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex, outros 4 rapazes entraram no cômodo. A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal. Tentou sair do quarto, mas foi impedida. Polícia busca suspeitos de estupro de adolescente em Copacabana Câmeras e prints Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As imagens também mostram o momento em que a vítima deixa o imóvel. De acordo com o relatório policial, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados pelos investigadores como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao crime. Conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor, antes do crime, foram incluídas no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha. As mensagens também mostram a combinação do encontro na portaria e os horários em que ela avisou que estava chegando. O que diz o laudo O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. Também foram descritos grupos de manchas nas regiões dorsal e glúteas. Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA. O que dizem os citados A defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota: “A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação.”