Entregador baleado por policial penal no Rio diz que não sabe quando poderá voltar a trabalhar
Entregador baleado por policial penal no Rio diz que não sabe quando poderá voltar a trabalhar O entregador baleado no pé por um policial penal durante uma d...

Entregador baleado por policial penal no Rio diz que não sabe quando poderá voltar a trabalhar O entregador baleado no pé por um policial penal durante uma discussão na noite desta sexta-feira (29), na Rua Carlos Palut, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, conta que não sabe quando poderá voltar a trabalhar porque o projétil ficou alojado. "Vai depender do médico falar se dá pra tirar, se continua, se tem sequela ou não. Vou ficar sem trabalhar por isso", afirma Valério dos Santos Júnior. O homem afirma que a discussão começou porque o cliente não aceitou que ele entregasse na portaria e queria que ele entrasse no condomínio - a que, segundo o iFood, os entregadores não são obrigados. No vídeo gravado por Valério, que mostra o momento do disparo, o homem diz: "Você não subir é uma parada". Cliente atira no pé de entregador na Zona Oeste do Rio Na hora que o entregador começa a relatar a situação, o policial faz o disparo contra o pé dele e diz: "Então valeu, que isso é o [palavrão], me dá minha parada, tá me filmando por quê?". "Ele falou que não ia lá, mandou buscar no bloco e eu falei que não. Disse pra me encontrar na portaria. Quando ele veio, ele já veio alterado. Falei: 'cara, fica tranquilo, fica tranquilo, eu só preciso do código'. Ele falou:' me dá o pedido'. Eu falei 'não. Me dá o código, que eu te dou o pedido'. Eu recebia R$ 7 para tomar um tiro no pé", contou Valério ao RJ2. Entregadores se uniram para fazer um protesto na porta do condomínio no início da tarde deste sábado (30). Eles se disseram indignados pelo fato de o atirador ter sido ouvido e liberado na delegacia. "Uma injustiça, a gente só queria o direito de ir e vir e entregar o lanche do cliente em segurança", afirma o entregador Breno Pereira. Policial penal dá tiro no pé de entregador em discussão na Zona Oeste do Rio Reprodução/Redes sociais O caso foi registrado na 32ª DP (Taquara). Segundo a Polícia Civil, a vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito e testemunhas são ouvidas. A arma do agente foi recolhida e será periciada. Outras diligências estão em andamento para esclarecer os fatos. Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) disse que José Rodrigo da Silva Ferrarini é policial penal e está na ativa. "Ressalta, ainda, que a conduta atribuída ao servidor ocorreu fora do exercício de suas funções. A Corregedoria da Seap estará acompanhando o caso junto à delegacia de polícia", afirma o posicionamento. O que diz o iFood A empresa reforçou que os entregadores não são obrigados a levar até a porta dos apartamentos e disse que não tolera nenhum tipo de violência contra os entregadores parceiros. Veja a nota na íntegra: "O iFood não tolera qualquer tipo de violência contra entregadores parceiros e lamenta muito o acontecido com o entregador Valério de Souza Junior. A empresa conta com uma Política de Combate à Discriminação e à Violência para oferecer a todos um ambiente ético, seguro e livre de qualquer forma de violação de direitos. Quando as regras são descumpridas, são aplicadas sanções que podem ir desde advertências até o banimento da plataforma. O iFood esclarece também que a obrigação do entregador é deixar o pedido no primeiro ponto de contato, seja o portão da casa ou a portaria do prédio. Essa é a recomendação passada aos entregadores e aos consumidores. Em 2024, a empresa lançou no Rio de Janeiro a campanha Bora Descer, que tem o objetivo de incentivar os clientes a irem até a portaria de seus condomínios para receber os pedidos de delivery, como forma de respeito aos entregadores. O iFood vai disponibilizar ao entregador Valério os serviços da Central de Apoio Jurídico e Psicológico, oferecido em parceria com a organização de advogadas negras Black Sisters in Law, garantindo acesso à justiça e assistência emocional ao parceiro. A empresa está à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário. Esperamos que o caso não fique impune e que Valério Junior se recupere rapidamente."