Espécies oceânicas surgem na Lagoa de Araruama; especialista explica fenômeno após aparição inusitada de tubarão
Especialista explica fenômeno após aparição inusitada de tubarão na Lagoa de Araruama RJ A presença de tubarões e de outras espécies oceânicas na Lagoa...
Especialista explica fenômeno após aparição inusitada de tubarão na Lagoa de Araruama RJ A presença de tubarões e de outras espécies oceânicas na Lagoa de Araruama, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, tem chamado a atenção de moradores e gerado questionamentos sobre possíveis impactos ambientais no ecossistema lagunar. Entre os dias 19 e 26 de janeiro, dois registros foram feitos na Lagoa, o que levou muitos moradores a associarem o fenômeno a um possível descontrole ambiental. Além dos registros recentes de tubarões, também já foram identificadas moréias e outras espécies tipicamente oceânicas no interior da lagoa. Apesar da repercussão, especialistas afirmam que a presença desses animais não indica prejuízo ambiental. O fato está associado à renovação hídrica do sistema e à melhora das condições ambientais da lagoa. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Espécies oceânicas que apareceram na lagoa de Ararauama; Moreia e Tubarão- Frango. Reprodução g1 O que diz o especialista De acordo com o biólogo Eduardo Pimenta, o animal registrado recentemente se trata de uma espécie comum no litoral brasileiro. “É um tubarão conhecido como cação-frango, um tubarãozinho pequeno, inofensivo, que não oferece risco. Não é a primeira vez que existe registro de cação, que eles chamam de tubarão, cação, tubarãozinho pequeno, na Lagoa de Araruama”, explicou. O biólogo detalha que o cação-frango (Rhizoprionodon porosus), também conhecido popularmente como cação-figuinho ou cação-rabo-seco, é uma espécie de tubarão da família Carcharhinidae. O animal é comum e considerado inofensivo, com corpo alongado, focinho longo e sulcos labiais bem desenvolvidos no canto de ambos os maxilares. Um dos registros mais recentes ocorreu no Canal do Itajuru, na noite deste domingo (25). Ainda de acordo com Pimenta, a entrada recorrente de espécies oceânicas na lagoa está diretamente ligada a mudanças estruturais e naturais que aumentaram o volume de água do mar no sistema lagunar. “A entrada de espécies oceânicas em grande volume na lagoa corrobora para a renovação hídrica lagunar, o que pode ser associado à saúde ambiental da lagoa e a melhorias das condições de balneabilidade”, afirmou. Ele explica que o Projeto Imersão, da UVA, acompanha há anos o volume capturado na Lagoa de Araruama, avaliando a estatística da pesca, o esforço pesqueiro e a produtividade. “A gente faz o acompanhamento já há alguns anos do volume capturado na Lagoa de Araruama, faz a estatística da pesqueira, avalia o esforço de pesca, e esse ano foi um ano (2025) muito bom, um ano de muita produtividade comparado com os anos anteriores”, disse. Entre os fatores que explicam o aumento da entrada de espécies oceânicas está a ampliação do vão da ponte que liga Cabo Frio a São Pedro da Aldeia. Outro ponto citado é a dragagem realizada no sistema lagunar. “A própria dragagem também corrobora para o aumento do volume de água oceânica adentrando a lagoa”, explicou o biólogo. Ele acrescenta que o regime natural de marés também tem papel fundamental nesse processo. “A gente tem duas marés enchentes e duas marés vazantes em 24 horas, que é o regime de marés direcionado pela lua, com marés de sizígia mais intensas e marés mortas com menor intensidade”, afirmou. Conforme Pimenta, durante as marés enchentes, a água oceânica leva para dentro da lagoa larvas, pós-larvas e juvenis de diversas espécies. “Essas marés enchentes levam juvenis, larvas e pós-larvas de espécies oceânicas para dentro da lagoa. Isso não tem relação nenhuma com dano ou desequilíbrio ambiental. Pelo contrário, evidencia que tem entrado muita água oceânica na Lagoa de Araruama, promovendo a renovação dessas águas”, disse. Ele reforça que esse processo é benéfico tanto para a qualidade ambiental quanto para a pesca. Atualmente, as principais espécies capturadas na lagoa continuam sendo camarão, perumbeba, tainha, parati, carapicú e graçainha. Já espécies oceânicas como salema, linguado, pampo, caratinga, sargo, cocoroca, vermelho-dentão, corvina, enchova e sardinha têm sido registradas como espécies secundárias, algumas delas com volume comercial relevante nas capturas realizadas dentro da lagoa. Os dados da produção pesqueira deste ano de 2026 indicam um cenário positivo para as comunidades tradicionais. O especialista reforça que a presença de tubarão e de outras espécies oceânicas na Lagoa de Araruama deve ser compreendida como um indicativo de renovação hídrica e melhoria ambiental, e não como sinal de degradação ou desequilíbrio do ecossistema. Investimentos da Prolagos em saneamento básico estão transformando a Lagoa de Araruama e trazendo reflexos positivos para o meio ambiente, a pesca e o turismo da região (veja a posição da concessionária abaixo). Posicionamento Prolagos A Prolagos segue executando um pacote de investimentos de R$ 450 milhões, que também contemplam as obras para reforçar o esgotamento sanitário na região. Entre as intervenções, destacam-se os mais de 26 quilômetros de cinturão coletor em construção ao redor da Lagoa de Araruama. Seguem também as obras de modernização da Estação de Tratamento de Esgoto da Praia do Siqueira, que recebe investimento de mais de R$ 110 milhões em melhorias. Em 2025, a empresa reinaugurou a estação de São Pedro da Aldeia, que se tornou mais moderna e com maior capacidade de tratamento. Além das obras, a concessionária assinou um Termo de Cooperação Técnica com a Prefeitura de Cabo Frio e o Inea para a dragagem da Lagoa na região da Praia do Siqueira. A concessionária foi responsável pelo aporte de R$ 6 milhões para a contratação da empresa responsável pelas ações. Os investimentos para reforço no saneamento vêm trazendo reflexos positivos, como o retorno de animais marinhos. Além disso, a pesca também tem tido bons resultados. De acordo com a Estatística Pesqueira desenvolvida pelo projeto Imersão, da Universidade Veiga de Almeida, no ano passado, houve aumento de 25% na quantidade de pescado na Lagoa em comparação com 2024. Os números são consolidados com associações e colônias de pescadores da região. A laguna também tem sido destaque com praias sendo reconhecidas internacionalmente pela sua qualidade. Um exemplo é o selo Bandeira Azul, que na temporada 2025/2026 contempla 11 locais nas cidades atendidas pela Prolagos. Destes, quatro são praias banhadas pela Lagoa de Araruama, um reconhecimento, entre outros critérios, dos avanços na qualidade da água da laguna. O que diz a Secretaria de Meio Ambiente O Secretário Municipal de Meio Ambiente, Clima e Saneamento de Cabo Frio, Jailton Nogueira, relatou que a presença de filhotes de tubarão, conhecidos como cações, no canal Itajuru e na Praia de Siqueira, na Laguna de Araruama, pode estar relacionada à queda da salinidade provocada por chuvas intensas, que facilita a entrada de novos organismos, além da existência de manguezais que oferecem abrigo e alimento para animais jovens. Ainda segundo o secretário, esse fenômeno resulta da combinação de fatores ambientais e climáticos, mostrando como a natureza atua de forma integrada. Trata-se de uma ocorrência natural, e a orientação é observar com cuidado, sem interferir, acionando órgãos competentes apenas em caso de risco ou manuseio inadequado.