Helio Gurovitz lança no Rio 'Meia-palavra', seu primeiro romance
Jornalista Helio Gurovitz lança no Rio 'Meia-palavra', seu primeiro romance O jornalista Helio Gurovitz lançou nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, "M...
Jornalista Helio Gurovitz lança no Rio 'Meia-palavra', seu primeiro romance O jornalista Helio Gurovitz lançou nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, "Meia-palavra", seu primeiro romance. O livro acompanha a trajetória de cinco amigos ao longo de quatro décadas e faz uma reflexão sobre o tempo, discutindo como escolhas, acaso e acontecimentos históricos podem levar pessoas com origens semelhantes por caminhos muito diferentes. O lançamento foi na Livraria da Travessa de Ipanema, na Zona Sul. Além da sessão de autógrafos, Gurovitz participou de um bate-papo aberto ao público com o jornalista Eduardo Affonso. "É um livro que eu levei oito anos para escrever. É bastante diferente de lidar com o noticiário, porque é um trabalho de formiguinha, que você vai construindo e gradualmente conseguindo chegar a algum lugar. Algumas coisas da atividade de jornalista ajudam: você trabalha com texto, está acostumado a escrever. Mas é quase como se fosse uma outra profissão", disse Gurovitz. Uma história sobre uma geração Helio Gurovitz autografa seu livro 'Meia-palavra' no Rio Willians Pereira/GloboNews "Meia-palavra" gira em torno de Paulo, João, Sérgio e dos gêmeos Max e Bóris, amigos desde a infância e a adolescência. A história acompanha o grupo em diferentes momentos da vida, mostrando como as relações e os próprios personagens se transformam com a passagem dos anos. Segundo Gurovitz, a decisão de construir a trama em torno de vários personagens surgiu do desejo de retratar não uma experiência individual, mas uma geração. "Eu não queria contar a história de alguém que fosse muito parecido comigo. Eu queria contar uma história que fosse uma história da minha geração, de várias pessoas diferentes, pertencentes a essa época que a gente vive." Dividido em 15 capítulos e quatro partes, o romance não apresenta de imediato todas as informações sobre os personagens. Histórias interrompidas em determinado momento são retomadas mais adiante. "A história nunca é revelada por inteiro até o final. Você sempre vai ficando com algumas perguntas na cabeça. Você solta um fio e pega ele lá na frente. Isso tudo é meio arquitetado, planejado ao longo de quatro partes." História real como pano de fundo Livro 'Meia-palavra', de Helio Gurovitz Lucas Machado/GloboNews A trajetória dos cinco amigos se cruza com acontecimentos que marcaram as últimas décadas no Brasil e no mundo, como a queda do Muro de Berlim, os ataques de 11 de Setembro e as manifestações de junho de 2013 no Brasil. Gurovitz afirma que a experiência como jornalista foi especialmente importante na pesquisa necessária para inserir os personagens nesses diferentes períodos históricos. "As histórias não vêm do nada e, embora sejam individuais, elas se adequam ao momento da história do Brasil e do mundo. A técnica jornalística te habilita a ser mais competente na hora de pesquisar, investigar, contrapor as ideias e contar as histórias." A passagem dos anos não serve apenas para situar os personagens. Segundo o autor, o tempo é a questão central do romance. "O grande tema do livro é esse: como o tempo passa e se as coisas de fato mudam ou não na vida da gente ao longo do tempo." O que fica sem dizer O título do livro está ligado à forma como as histórias e as relações entre os personagens são construídas. Gurovitz explica que "Meia-palavra" remete tanto ao que é dito quanto ao que permanece nas entrelinhas. "O nome do livro não é uma brincadeira. É um tema que volta recorrentemente ao longo do livro e tem a ver com essa história de você dizer e não dizer, e de você dizer, por aquilo que não é dito, mais do que por aquilo que é dito." Estreia na ficção Nascido em São Paulo, em 1968, Helio Gurovitz é formado em Ciência da Computação e Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) e tem pós-graduação em Hipermídia pela Universidade de Westminster, em Londres. Ao longo da carreira no jornalismo, passou pela Folha de S.Paulo, pela revista Exame e pela revista Época, cuja redação dirigiu durante nove anos. Também foi colunista do Estadão e do g1. Atualmente, é editor de Opinião do jornal O Globo e vive no Rio de Janeiro. "Meia-palavra", publicado pela Editora Cajuína, já havia sido apresentado durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).