Mudanças em comissões da Alerj ampliam influência do PL e geram disputa política na Casa
Mudanças em comissões da Alerj ampliam influência do PL e geram disputa política na Casa A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) iniciou uma reor...
Mudanças em comissões da Alerj ampliam influência do PL e geram disputa política na Casa A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) iniciou uma reorganização em suas comissões permanentes que ampliou a presença de parlamentares aliados do presidente da Casa, Douglas Ruas (PL). As mudanças atingem colegiados historicamente comandados por partidos de esquerda, como as comissões de Direitos Humanos e de Defesa dos Direitos da Mulher. Segundo a nova composição, deputados do PL e de partidos aliados passam a ter maioria nesses espaços, o que deve resultar na eleição de presidentes alinhados ao bloco governista. A movimentação ocorre após a janela partidária e a alteração no tamanho das bancadas. Uma das principais alterações ocorre na Comissão de Direitos Humanos, que há anos vinha sendo presidida por parlamentares do PSOL. Na composição anterior, a presidência era de Dani Monteiro (PSOL), com Carlos Minc (PSB) na vice. Também integravam o colegiado Fred Pacheco (PL), Jorge Felippe Neto (PL) e Munir Neto (Solidariedade). Com a reconfiguração, a tendência é que o comando passe a Alexandre Knoploch (PL), conforme articulações internas. A mudança ainda precisa ser formalizada em reunião da comissão, mas, segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, o acordo político já estaria definido. A oposição afirma que a nova direção pode alterar o perfil de atuação do colegiado. Knoploch tem defendido pautas de segurança pública e fiscalização de populações em situação de rua, o que gera críticas de parlamentares de esquerda. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O deputado estadual Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj Alex Ramos/Alerj Comissão de Direitos da Mulher também terá nova presidência Outra mudança relevante ocorre na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, anteriormente presidida por Renata Souza (PSOL). A parlamentar não aparece nem entre as suplentes da nova formação. A presidência deve ficar com Sarah Poncio (Solidariedade). A vice-presidência passa a ser ocupada por Índia Armelau (PL). Também integram o colegiado nomes como Zeidan (PT) e Carla Machado (PSD), além de Franciane Motta (Podemos), que permanece na comissão. O discurso oficial da Alerj é de que as mudanças seguem o regimento interno, que estabelece a proporcionalidade das bancadas nas comissões. Com o crescimento do PL — que passou de 18 para 23 deputados após a janela partidária —, o partido ampliou sua participação nos colegiados. Nos bastidores, porém, fontes da Casa afirmam que reorganizações desse tipo costumam ocorrer no início de legislaturas e a cada dois anos, e que a movimentação atual teria caráter incomum pelo volume de alterações simultâneas. A oposição ao presidente da Alerj vê nas mudanças uma retaliação política. Parlamentares do PSOL afirmam que o grupo tem atuado na cobrança de investigações e na defesa de CPIs, como a do Banco Master. Trocas, investigações e tensão no plenário Além das comissões, outras mudanças internas atingiram parlamentares específicos. O deputado Rosenverg Reis (MDB) deixou a vice-presidência da Comissão de Emendas Constitucionais e Vetos. No campo político, aliados e opositores também disputam espaço em meio a investigações em curso. O deputado Thiago Rangel permanece preso desde maio, suspeito de envolvimento em desvios em obras da rede estadual. A investigação aponta suspeitas de interferência de parlamentares na escolha de empresas contratadas para obras em escolas. O caso é citado por parlamentares da oposição como exemplo de um ambiente de tensão dentro da Casa. A líder do PSOL na Alerj, Renata Souza, afirmou que as mudanças representam uma tentativa de enfraquecer a atuação da oposição em comissões estratégicas. Já o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), nega qualquer motivação política e afirma que as alterações seguem critérios regimentais. Segundo ele, a reorganização busca apenas corrigir distorções de proporcionalidade entre as bancadas e respeitar o regimento interno da Casa. “As mudanças nas comissões são o estrito cumprimento do regimento interno da Casa. Isso foi discutido no colégio de líderes. Havia uma desproporcionalidade, o que é contrário ao regimento, que prevê proporcionalidade de acordo com o tamanho das bancadas. Estamos fazendo essa correção para garantir o cumprimento do regimento interno, nada além disso.”