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'O Rio pode mais': Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável

'O Rio pode mais': Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável A Costa Verde do Rio de Janeiro ...

'O Rio pode mais': Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável
'O Rio pode mais': Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável (Foto: Reprodução)

'O Rio pode mais': Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável A Costa Verde do Rio de Janeiro reúne algumas das paisagens mais conhecidas do estado, mas enfrenta problemas de infraestrutura que comprometem a qualidade de vida e limitam o desenvolvimento econômico. Em Angra dos Reis e na Ilha Grande, a falta de saneamento e as interrupções no fornecimento de energia afetam moradores, pescadores e empresários do turismo. No Sul Fluminense, outro gargalo aparece na indústria: a qualidade da energia elétrica. A região abriga um dos principais polos automotivos do país, mas pequenas interrupções no fornecimento são suficientes para paralisar linhas de produção e gerar prejuízos milionários. Os entraves para desenvolvimentos na Costa Verde e no Sul Fluminense foram temas do terceiro capítulo da série "O Rio pode mais", do RJ2. A um mês das eleições, a equipe do telejornal percorreu diferentes regiões do estado para identificar os principais entraves ao desenvolvimento e os potenciais de cada território. Em cinco capítulos, a série mostra como problemas de infraestrutura, mão de obra e outros gargalos afetam a economia local. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Os problemas como saneamento aparecem, por exemplo, no Parque Mambucaba, em Angra dos Reis, onde vivem cerca de 56 mil pessoas. Pescadores da região mostram uma estrutura que deveria tratar o esgoto produzido pela comunidade, mas que nunca chegou a funcionar. Segundo Waltencyr Sousa, presidente da Associação de Pescadores do Parque Mambucaba, existem quatro estações de tratamento de esgoto no bairro — e nenhuma está em operação. Pesca na Costa Verde Reprodução/RJ2 “Ela foi feita em 2015. Só foi construída, mas nada efetivada. Nunca funcionou. São quatro ETEs aqui no Parque Mambucaba, e todas estão inoperantes”, afirma Waltencyr Sousa. O resultado aparece no Rio Mambucaba. Redes que deveriam ajudar a escoar a água da chuva também recebem o esgoto das casas, que segue diretamente para o rio. Segundo moradores, o esgoto do complexo de saúde da região também chega ao curso d’água, que desemboca na Baía da Ilha Grande, importante área de reprodução de espécies marinhas. Para os pescadores artesanais, a poluição se soma a outros problemas, como o crescimento urbano desordenado e a pesca predatória. Waltencyr diz que a quantidade de pescado diminuiu nos últimos anos. “De uns anos para cá, o pescador sentiu nas redes que o pescado sumiu praticamente”, diz. O pescador Dilson Oliveira conta que hoje precisa percorrer distâncias maiores para encontrar peixe e que já pensou em deixar a região. “Eu já pensei até em mudar daqui. Vontade de crescer tem. Mas como é que cresce? Não tem como. Sem ajuda, sem ajuda não tem como, não”, afirma Dilson. Ilha Grande enfrenta falta de luz e pressão do turismo Turismo na Ilha Grande Reprodução/RJ2 O problema do saneamento também aparece no centro de Angra dos Reis, no caminho para a Ilha Grande. Moradores convivem com canais onde o esgoto corre a céu aberto e chega diretamente às praias. Para Jonathan Santiago, morador da região e integrante de uma família caiçara, o problema atravessa gerações. “Minha família caiçara, minha família é daqui, e essa situação que você está vendo sempre foi assim. O esgoto a céu aberto, o lixão a céu aberto. E o morador paga uma taxa de esgoto onde não tem saneamento básico nenhum. Entra governo, sai governo e nada muda”, afirma Jonathan. A Ilha Grande tem cerca de 7 mil moradores, mas a população praticamente dobra durante a alta temporada. O aumento no número de visitantes pressiona ainda mais a infraestrutura local. falta de energia é outro problema enfrentado por quem vive e trabalha na ilha. César Augusto dos Santos, dono de uma pousada, conta que precisou manter um gerador durante décadas para garantir o funcionamento do negócio. “Tem 32 anos que eu tenho a pousada. Tem 32 anos que eu tenho esse gerador”, conta César. Segundo ele, o equipamento deixou de ser uma alternativa e virou uma necessidade. Além das pousadas, geradores também são usados em locais como escolas e no Corpo de Bombeiros. Moradores calculam que a região fique cerca de sete dias por mês sem energia. Na alta temporada, quando a demanda aumenta, os problemas se tornam ainda mais preocupantes. Em 2019, Ilha Grande e Paraty receberam da Unesco o título de Patrimônio Mundial pelo valor cultural e natural. É o primeiro sítio misto do Brasil incluído na lista da organização. Energia ruim ameaça polo industrial Indústria automotiva no Sul Fluminense Reprodução/RJ2 A viagem da série segue para Itatiaia e Resende, no Sul Fluminense. A região abriga o segundo maior polo automotivo do país, com cinco montadoras de carros, ônibus, caminhões e máquinas, além de cerca de 30 empresas fornecedoras de peças e serviços. Nas fábricas, não é preciso um apagão para causar prejuízo. Uma interrupção de poucos segundos pode ser suficiente para interromper uma linha de produção inteira. Segundo Igor Leite, presidente do Cluster Automotivo do Sul Fluminense, quando a energia cai, os equipamentos param. Mesmo depois que o fornecimento é restabelecido, a produção não volta imediatamente. “Parou um segundo, os equipamentos, todos param. A energia voltou no segundo seguinte, os equipamentos precisam passar por um processo de comissionamento. Isso demora, a depender do equipamento, da calibragem e da função, de oito a 30 horas”, explica Igor. As interrupções aumentam os custos, reduzem a produção e comprometem a eficiência das empresas. O impacto financeiro já é expressivo: segundo o setor, em seis meses, a cadeia produtiva perdeu cerca de R$ 500 milhões por causa de paralisações provocadas por problemas no fornecimento de energia. “Um bilhão por ano eu posso traduzir isso em perda de produtividade”, afirma Igor. O problema se soma ao alto custo da eletricidade no estado. “O estado do Rio já tem uma das tarifas de energia mais caras do Brasil, a quarta energia mais cara do Brasil, e eu tenho interrupções no fornecimento. Eu tenho dois grandes problemas: o custo alto que ela me causa e os problemas que ela me traz”, diz Igor. Para o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, a instabilidade do fornecimento pode fazer empresas deixarem de produzir ou assumirem custos adicionais para manter as operações. “Elas deixam de produzir ou acabam produzindo com um risco muito mais elevado, porque, por exemplo, ter um gerador ou ter perda de produtos nessas oscilações de energia. E esse aumento do custo fatalmente vai com o preço final. E o preço final mais alto é a competitividade mais baixa”, afirma Jonathas. Segundo o economista, a solução depende da atuação conjunta de distribuidoras e governos estadual e federal. “É uma questão que depende de uma coordenação muito ampla, tanto das distribuidoras quanto do governo estadual, como mudanças nas concessões do governo federal. A situação não é tão simples de ser resolvida, mas ela é latente e precisa muito ser resolvida no estado”, afirma. LEIA OS OUTROS CAPÍTULOS 'O Rio pode mais': falta de mão de obra, estradas e energia são entraves ao desenvolvimento da Região Serrana e Centro-Sul do RJ 'O Rio pode mais': problemas de acesso ao Porto do Açu e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado