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Plantão judiciário negou urgência em caso de estupro coletivo, e suspeitos fugiram antes da prisão, diz delegado

Plantão nega urgência em caso de estupro coletivo; prisão sai 21 dias depois O pedido de prisão dos quatro suspeitos de estupro coletivo contra uma adolesce...

Plantão judiciário negou urgência em caso de estupro coletivo, e suspeitos fugiram antes da prisão, diz delegado
Plantão judiciário negou urgência em caso de estupro coletivo, e suspeitos fugiram antes da prisão, diz delegado (Foto: Reprodução)

Plantão nega urgência em caso de estupro coletivo; prisão sai 21 dias depois O pedido de prisão dos quatro suspeitos de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, em um apartamento em Copacabana, esbarrou inicialmente no plantão judiciário. Ouvido pelo blog, o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), disse que a Polícia Civil solicitou as prisões e os mandados de busca e apreensão ainda durante o plantão. O caso, porém, não foi considerado urgente naquele momento. “O juiz entendeu, naquele momento, que o caso não dizia respeito ao plantão judiciário. Entendeu que aquilo teria que ir para um juiz natural e por isso ele resolveu redistribuir o feito. A gente contava muito com essa ordem judicial que a gente pediu no plantão exatamente para ter esse elemento surpresa a nosso favor, porque se nesse momento tivéssemos conseguido essas ordens judiciais, acredito que a gente conseguiria não só tê-los prendido, mas também ter obtido mais provas através dos celulares", explica Lages. Segundo o delegado, por conta da demora, os suspeitos já tinham ciência da decisão e no momento de executar a ordem de prisão, a polícia não encontrou ninguém no local do crime. O processo foi distribuído primeiro para a Vara de Violência Doméstica e, depois, para a vara especializada em crimes contra crianças e adolescentes. "[O processo] foi distribuído, caiu numa vara de violência doméstica. A juíza, ao meu ver de forma correta, entendeu que não era atribuição da violência doméstica e encaminhou para a vara de adolescente e criança vítima. E, aí sim, a Justiça veio se pronunciar quando, na última sexta-feira, foi decretada a prisão dos maiores. Isso realmente demandou esse tempo e trouxe, de certa forma, um prejuízo.” Plantão judiciário negou urgência em caso de estupro coletivo 📱 Acesse o canal da Sadi no WhatsApp Como ocorreu o crime Segundo o inquérito policial, o abuso ocorreu no dia 31 de janeiro, um sábado, dentro de um apartamento no bairro. No mesmo dia, a vítima compareceu à delegacia em estado psicológico abalado e prestou depoimento. "A gente encarou desde o começo como uma emboscada planejada. O adolescente se valeu dessa confiança adquirida com a adolescente — uma de 14 anos, a outra de 17 anos — para atraí-las até o apartamento. Ela foi surpreendida posteriormente por quatro pessoas entrando no quarto e praticando toda espécie de violência", relata Lajes. O delegado afirma que o exame de corpo de delito retratou "exatamente o que ela [a adolescente" declarou". "Ela tinha lesões na parte sexual, nas costas, nas nádegas, inclusive tinha suspeita de uma fratura na costela. No depoimento ela relatou que recebeu chutes. Ela não foi vítima só de violência sexual; além da violência sexual, ela foi vítima de violência psicológica e de agressões físicas." Ainda em 31 de janeiro, a polícia tentou prender os suspeitos, mas eles já não estavam no apartamento. A investigação foi concluída no dia 6 de fevereiro. Na mesma data, a Polícia Civil representou ao plantão judiciário pela prisão dos suspeitos e por mandados de busca e apreensão. Também em 6 de fevereiro, o plantão judiciário entendeu que não se tratava de caso urgente. O juiz declinou da competência e encaminhou o caso para a Vara de Violência Doméstica. Posteriormente, a Vara de Violência Doméstica também se declarou incompetente e enviou o processo à Vara especializada em crimes contra Criança e Adolescente. O decreto das prisões saiu só na última sexta-feira (27), cerca de 20 dias depois do pedido inicial da polícia. Quando os mandados foram expedidos pela Justiça, os suspeitos já não estavam em casa. 'O 'não' dela é muito precioso e importa', diz mãe de vítima de estupro coletivo no Rio Ângelo afirma que tentou antecipar o cumprimento das prisões para sábado (28), a fim de surpreendê-los, mas eles não foram localizados. A polícia não sabe quando os suspeitos deixaram as residências. Segundo o delegado, como as defesas já tinham acesso ao processo, não houve efeito surpresa no cumprimento das ordens judiciais. No dia 2 de março, a polícia realizou novas diligências em outros endereços após denúncias recebidas pelo Disque-Denúncia, mas novamente não localizou os suspeitos. Dois dos suspeitos se entregaram nesta terça (3), e dois são procurados. Há ainda um adolescente envolvido, e o caso dele é analisado pela Vara da Infância e da Juventude. A polícia informou que mantém contato com os advogados dos dois réus e que a expectativa é de que os demais se apresentem no dia 4 de março. Próximos passos da investigação Portal dos Procurados divulgou cartaz dos quatro jovens denunciados pelo estupro coletivo Divulgação/Disque Denúncia A apreensão dos celulares é considerada peça-chave no inquérito. Embora não haja confirmação de que o crime tenha sido filmado, Lajes afirma que é comum haver registros em vídeo em casos assim. A polícia também acredita que houve intensa troca de mensagens entre os envolvidos antes e depois do episódio. "A gente queria muito ter acesso aos celulares para trazer uma prova ainda mais contundente contra esses criminosos. O que a gente pensa agora em fazer é pedir uma quebra [de sigilo] telemático para ver o que a gente consegue encontrar na nuvem desses criminosos. Interessava muito ter acesso porque, provavelmente, encontraria a gravação daquela cena de crime, aquela cena de terror. E, também, a gente poderia ver ali o prévio acordo deles, porque eles se comunicaram, eles não estavam ali [no apartamento] por acaso.” O delegado afirma que os detalhes do caso sugerem uma emboscada promovida pelos cinco suspeitos contra a vítima e que a garota foi categórica em dizer que não teria qualquer tipo de contato com outras pessoas no apartamento. “Embora tenha ido a esse apartamento, ela em momento algum — isso ficou claríssimo para nós — deixou transparecer que faria qualquer tipo de coisa com outra pessoa. Não houve dúvida. Ela foi muito clara ao afirmar que não teria qualquer tipo de contato com as outras pessoas. Isso é importante porque, sim, configura o crime de estupro, e há muita gente tentando desqualificar a própria vítima”, diz Lajes. Confira chegada de suspeito de estupro coletivo à delegacia de Copacabana