TCE aponta diferença de quase R$ 20 milhões em operações ligadas ao Banco Master intermediadas pela Planner no RJ
TCE aponta diferença de quase R$ 20 milhões em operações ligadas ao Banco Master intermediadas pela Planner no RJ Uma auditoria do Tribunal de Contas do Est...
TCE aponta diferença de quase R$ 20 milhões em operações ligadas ao Banco Master intermediadas pela Planner no RJ Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) identificou uma diferença que chega a quase R$ 20 milhões entre os valores pagos pelo Rioprevidência na compra de títulos públicos federais e os preços praticados no mercado para esses mesmos papéis. As operações foram intermediadas pela corretora Planner, envolvida nas transações entre o fundo previdenciário do estado e o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central há dez dias e que recebeu mais de R$ 2,6 bilhões em aplicações do fundo, como o RJ2 vem mostrando. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O TCE afirmou que a atuação da corretora, já investigada em outros processos, pode ter causado prejuízo aos cofres públicos e apresenta indícios de irregularidades na execução dos negócios. Sede do Banco Master Divulgação/Banco Master Intermediação sem justificativa Segundo o TCE, as transações feitas pelo Rioprevidência por meio da Planner não apresentaram estudos comparativos de mercado, critérios claros de escolha da intermediária ou demonstração de vantagem financeira para o fundo previdenciário dos servidores. Para o tribunal, a falta de justificativa levanta suspeitas sobre a motivação das operações. A Corte de Contas comparou os preços pagos pelo Rioprevidência nas aquisições intermediadas pela corretora com os valores do mercado secundário nas mesmas datas. A diferença encontrada, quase R$ 20 milhões, indica que o fundo pagou mais caro pelos títulos públicos federais do que pagaria em condições normais de mercado. Histórico de problemas O TCE destacou também que a Planner possui um histórico considerado “preocupante”. Segundo os técnicos do tribunal, a empresa é: investigada em 16 processos no próprio Tribunal de Contas, todos ligados a possíveis danos a regimes próprios de previdência; ré em nove processos sancionadores na Comissão de Valores Mobiliários (CVM); signatária de um termo de compromisso na Anbima, após descumprir regras de precificação de ativos, cobrança inadequada de taxas e irregularidades na gestão e distribuição de fundos de investimento; alvo de investigação da Polícia Federal em 2016 e 2017, em apurações sobre fraudes em fundos de previdência. Para o TCE, esse conjunto de antecedentes reforça os riscos da escolha da corretora pelo Rioprevidência. CPI apontou problemas As suspeitas sobre a corretora não são novas. Em 2021, a CPI do Rioprevidência, na Alerj, identificou que um dos braços da empresa, a Planner Trust, não oferecia o melhor preço para prestação de serviços, segundo consulta do BB Securities, mas ainda assim foi contratada. Rioprevidência investiu R$ 2,6 bilhões em fundos do grupo do Banco Master O relatório final da comissão associou a Planner Trust ao doleiro Alberto Youssef, investigado em esquemas bilionários revelados pela Operação Lava Jato. Em julho deste ano, o Supremo Tribunal Federal anulou todos os atos contra Youssef na operação, mas um de seus ex-operadores segue condenado por improbidade. O que dizem os envolvidos Em nota, o Rioprevidência afirmou que nunca pagou qualquer valor a corretoras ou intermediários e que, há dois anos, é o regime próprio de previdência com maior rentabilidade em investimentos em carteira de títulos públicos federais. Segundo o fundo, a diferença de quase R$ 20 milhões apontada pelo TCE representa cerca de 0,03% do total investido. O órgão também disse que nunca recebeu solicitação de informações sobre operações intermediadas pela Planner e que desconhece a metodologia utilizada no relatório do Tribunal de Contas. O Rioprevidência informou ainda que foi auditado neste ano pelo Ministério da Previdência Social e não houve apontamentos. Já a Planner Corretora de Valores afirmou que nunca foi responsável por qualquer decisão de compra de títulos de renda fixa ligados ao Banco Master e que essas escolhas cabem exclusivamente aos gestores das instituições de previdência complementar.