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Técnico de enfermagem autista denuncia agressão em UPA durante crise: 'Eu estava de tapa-olho e fui agredido nessa condição'

Técnico de enfermagem algemado durante crise de ansiedade. Arquivo Pessoal / Jadson Freire de Mendonça, de 39 anos O técnico de enfermagem Jadson Freire de ...

Técnico de enfermagem autista denuncia agressão em UPA durante crise: 'Eu estava de tapa-olho e fui agredido nessa condição'
Técnico de enfermagem autista denuncia agressão em UPA durante crise: 'Eu estava de tapa-olho e fui agredido nessa condição' (Foto: Reprodução)

Técnico de enfermagem algemado durante crise de ansiedade. Arquivo Pessoal / Jadson Freire de Mendonça, de 39 anos O técnico de enfermagem Jadson Freire de Mendonça, de 39 anos, denunciou ter sido agredido dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Iguaba Grande, na Região dos Lagos do Rio, após procurar atendimento durante uma crise associada ao transtorno do espectro autista. O caso aconteceu na noite de sexta-feira (18). Jadson afirma que usava um tapa-olho por causa da sensibilidade à luz e que estava com os olhos cobertos no momento das agressões. “Eu estava de tapa-olho, ou seja, de olhos fechados, e fui agredido nessa condição”, disse. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Turista de BH de 26 anos desaparece no mar da praia do Forte, em Cabo Frio Homem furta creche e usar carrinho de supermercado para transportar objetos em Maricá Casimiro de Abreu abre inscrições gratuitas para projeto de emagrecimento saudável Segundo Jadson, durante o trajeto até a UPA, o carro em que estava com a esposa colidiu com um objeto na pista, e a mulher sofreu um corte na cabeça. Ela foi atendida na unidade e passou por sutura, mas, de acordo com ele, a médica informou que não havia necessidade de mantê-la em observação. O técnico contesta a avaliação e pediu que a esposa permanecesse em um leito por precaução. Ainda conforme o relato, o pedido foi negado sob a justificativa de falta de vagas. Jadson afirma, porém, que viu leitos desocupados ao circular pela unidade. Ele também relata que não recebeu atendimento específico para a crise que enfrentava. Jadson diz que o conflito começou quando tentou sair do local e entrar novamente pela recepção. Ele afirma que foi barrado por um segurança, que teria feito ofensas e ameaças. O técnico admite que empurrou o agente, mas relata que, em seguida, foi agredido por outros seguranças, algemado com violência e imobilizado no chão. Segundo ele, as agressões continuaram mesmo após as algemas. Após a confusão, ele foi levado à delegacia. Em seguida, retornou à UPA, onde conseguiu novo atendimento e realizou exames de raio-x no rosto e no nariz. Nesta segunda-feira (20), passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. Jadson afirma que houve despreparo da unidade para lidar com pessoas neurodivergentes em situação de crise. Segundo ele, faltam capacitação e protocolos adequados para o atendimento de pacientes com transtorno do espectro autista em momentos de desregulação emocional. O caso envolve um quadro conhecido como “meltdown”, caracterizado por sobrecarga emocional, sensorial ou mental, que pode comprometer temporariamente o controle de reações e a comunicação, exigindo acolhimento e manejo especializado. Jadson diz que tentou contato com autoridades municipais, incluindo o prefeito, a secretária de Saúde e vereadores, mas afirma não ter recebido resposta. Ele afirma que pretende buscar responsabilização pelo caso e cobrar mudanças no atendimento a pessoas com deficiência e neurodivergentes na rede pública. Também criou um perfil em rede social para reunir denúncias de maus-tratos contra esse público. Posicionamento da Prefeitura Em nota, a Prefeitura de Iguaba Grande informou que a esposa de Jadson deu entrada na UPA às 22h56 e recebeu atendimento cinco minutos depois. Segundo o município, o técnico também foi atendido de forma imediata por um quadro de crise hipertensiva e medicado. A administração municipal afirmou que não houve negativa de socorro e que a equipe de segurança interveio para garantir a integridade de pacientes e profissionais. A prefeitura também declarou que o homem apresentou comportamento agressivo, desacatou a equipe e teria feito ameaças com um objeto perfurocortante, versão contestada por Jadson. Ainda segundo o município, após ser levado à delegacia, ele retornou à unidade e tentou arrombar um portão de acesso de funcionários, causando danos ao patrimônio público. Registros de ocorrência por desacato e dano foram feitos. Sobre a denúncia da vítima ter sido agredida após estar imobilizado, a Prefeitura disse que só vai se posicionar após analisar as imagens.