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Tráfico na Lapa invade imóveis, cobra ‘taxa’ de comerciantes e até tortura dependentes químicos

Dependentes químicos são torturados por traficantes da Lapa, no Rio As investigações que levaram à Operação Colmeia, deflagrada nesta terça-feira (16) p...

Tráfico na Lapa invade imóveis, cobra ‘taxa’ de comerciantes e até tortura dependentes químicos
Tráfico na Lapa invade imóveis, cobra ‘taxa’ de comerciantes e até tortura dependentes químicos (Foto: Reprodução)

Dependentes químicos são torturados por traficantes da Lapa, no Rio As investigações que levaram à Operação Colmeia, deflagrada nesta terça-feira (16) pelas forças de segurança do RJ, apontam que o Comando Vermelho (CV) até torturava dependentes químicos que rondavam as bocas de fumo da Lapa. A quadrilha que explora venda de drogas na região foi alvo de uma ação conjunta das forças de segurança. Até a última atualização desta reportagem, 14 pessoas haviam sido presas. O RJ1 teve acesso a um vídeo obtido pela Polícia Civil, gravado pelos próprios traficantes, que mostram usuários sendo amarrados com fita. “Identificamos uma sessão de tortura com dependentes químicos e o sujeito apanhando, os traficantes amarrando e determinando se matariam ou não matariam aquela vítima”, narrou o delegado Uriel Alcântara Machado, da Polinter. O inquérito começou na 5ª DP (Mem de Sá), que descobriu outras formas de exploração do bairro pelo CV. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Traficantes da Lapa torturaram dependentes químicos Reprodução Extorsão a comerciantes Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, um dos chefões da facção e apontado como “dono” das bocas de fumo da Lapa, impôs em meados do ano passado uma “taxa” diária a comerciantes que montam barracas no entorno da Escadaria Selarón, um dos pontos mais movimentados do bairro. Os cerca de 50 ambulantes que trabalham nas ruas Teotônio Regadas (ao lado da Sala Cecília Meireles) e Joaquim Silva são obrigados a pagar até R$ 130 por dia. A polícia identificou comprovantes de transferências em nome do traficante Endrew Silva Lima, o Di Mulher, comparsa de Abelha. A polícia estima que o CV já lucrou R$ 200 mil só com essa extorsão. ‘Homenagem’ a filho de Abelha Muro traz 'homenagem' ao filho de Abelha g1 Há pelo menos 5 anos um muro que fica em frente à Escadaria Selarón tem um desenho em “homenagem” a um filho de Abelha. O g1 constatou que desde maio de 2021, ao menos, há uma pintura que retrata Pablo Carlos Rodrigues Quintanilha, o PB, morto em confronto com a polícia em 2019. O mural foi refeito há cerca de 2 anos, quando o muro foi caiado, e o retrato, redesenhado. Invasão a imóveis A 5ª DP descobriu que Abelha e Piu são donos dos pontos de venda de drogas na Lapa — o maior fica a 200 metros dos Arcos da Lapa, na região entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva. Os traficantes invadiam casarões abandonados, onde se formavam filas de usuários. Por vezes, os entorpecentes eram anunciados no meio da rua, como em um “feirão”. As drogas que abastecem esses pontos são embaladas no Fallet/Fogueteiro e enviadas por táxis, mototáxis e “mulas” — quase sempre mulheres. Desde o ano passado, segundo as investigações, o tráfico vem mudando as bocas de fumo de lugar, pós uma série de prisões. Casa de Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu Divulgação/PCERJ Investigações As investigações começaram em outubro de 2024 na 5ª DP (Mem de Sá), que em novembro do ano passado indiciou 25 traficantes e pediu a prisão deles. O inquérito foi encaminhado ao Gaeco, que denunciou 30 pessoas. Todos viraram réus na Justiça. A delegacia identificou que a venda de entorpecentes na Lapa parte do Fallet/Fogueteiro e é chefiada por Abelha. Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu ou Português, que já estava encarcerado, é apontado como gerente operacional. No Fallet/Fogueteiro, equipes chegaram à casa de Piu. O imóvel, no alto do morro, ainda está em obras. Entre os ambientes há uma academia e cozinha integrada com a sala, e o terraço conta com piscina, churrasqueira e vista para a comunidade. Houve diligências ainda na Lapa e no Morro dos Prazeres. Abelha e Piu são citados por seus subordinados com as expressões “Tropa do Mel” e “Tropa do Português”. Nas redes sociais, emojis de abelha, de mel e da bandeira de Portugal são usados como referência. Esses desenhos também são encontrados na Lapa. A Polícia Civil destacou que 22 dos 28 procurados nesta terça não tinham antecedentes criminais. Entre eles estão os “gerentes de carga”, responsáveis pela logística do tráfico. Casa de Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu Divulgação/PCERJ Casa de Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu Divulgação/PCERJ Assista à reportagem: Operação Colmeia: polícias miram o tráfico de drogas na Lapa